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Coágulo

na mó insondável de todas as manhãs

o tempo, ininterrupto, ciranda seu eterno ruir

esboça, desenha e borra destinos

não raro, também colore

 

Ela, uma mulher alforriada das vãs eternidades

já bem sabe sobre suas urgências irrevogáveis

seus delicados cataclismos

seus afetos biodegradáveis

 

e, no desarranjo preciso de todos os dias

entre o que é ocasional e o negro infinito

Ela, uma alquimista por indução de fêmea 

tenta coagular o tempo na quinta estação do amor.

 

                                              11/2020