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Poemário

Na percepção estética o que se descortina e produz efeito no corpo quase sempre é da ordem da beleza, um delicado assombro

que discretamente desorganiza o sujeito ao lhe projetar uma luz que surpreende. A experiência estética, de algum modo, remove sombras e derrama cor no que antes era pálido.

A beleza e o sublime são os insumos da poesia. O poeta é o operário da palavra, o artesão da sintaxe. 

A poesia quase sempre é filha do desamparo. Nunca da inspiração.

Mallarmé já apontava que a poesia tinha algo de precisão estética, visando eliminar o acaso na conjunção das palavras. Isso, de algum modo, corrobora a visada de Décio Pignatari , quando afirma que o poeta é um designer da linguagem. 

Há porém quem diga que a poesia é uma religião sem esperança. 

Essa é uma perspectiva que me interessa bastante, pois foi a partir de pequenos desassossegos que risquei algumas linhas, tidas por mim como “Escritos de Subsistência”, ou seja, pequenos ensaios poéticos sem intenção editorial. Linhas líricas cometidas por puro diletantismo.

Um poemário é um latifúndio lírico que cabe numa caixa de sapatos.

Caos