Maio 28, 2025

no desacerto temporal dos corpos
a cartografia errante da tez.
no desatino dos fluidos
a solitude elementar
de cada um e todos.
na inexistência da gramática sexual,
ela com tédio de cais
ansiava tempestades e mar aberto.
ele, na orla, com alma de faroleiro
e na dormência dos dias amputados
juntava conchas na trincheira ao desejo.
o amor é um discurso sem legendas prévias
tateia arabescos soltos
e forja enredos precipitados
em tintas noturnas ou escarlate
nuanças epidérmicas.
no falso oásis do amor
o sol está sempre a pino
no entanto, não raro
ambos na escuridão.